quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

à atenção de todos os pretendentes a jornalistas e a pretendentes a prentendentes a jornalistas, i.e., estudantes de jornalismo e jovens ingénuos...

... estes ouvidos que não sei se a terra há-de comer ou não ouviu ontem um director de um conceituado diário português afirmar, perante uma platéia de jovens - uns mesmo muito jovens -, que quem sonha ou pretende ou deseja ou ambiciona ser jornalista através da frequência do ensino superior deve evitar o curso de jornalismo. Sim, deve evitar o curso de jornalismo. Sim, isso mesmo que leram - de-ve-e-vi-tar-o-cur-so-de-jor-na-lis-mo. O melhor, o mais adequado, enfim, a recomendação é a de que quem sonha (ou blá, blá, blá) tal coisa deve sim (atenção!) frequentar um outro curso superior qualquer (ou seja, ao gosto pessoal) e só depois, mesmo só depois (e talvez só como passatempo) frequentar uma pós-graduação ou mestrado.
Aceitam-se comentários, aprovações e condenações.
Não querendo influenciar ninguém, apenas digo que é uma opinião polémica. Mas é uma opinião, e eu respeito. Pese embora o registo que dei à prosa...

11 comentários:

Meira da Rocha disse...

Quer diser: estudar os gêneros jornalísticos, aprender a escrever, a editar, a formatar material... nada?

Anónimo disse...

Pessoalmente não concordo com a opinião de não se fazer o curso de jornalismo, caso se pretenda ter essa profissão, no entanto, penso que estava na altura de alguns cursos de jornalismo serem totalmente revistos.
Muitas vezes é utilizada muita teoria onde , porovavelmente, será um curso que necessita de muita prática.

Abraço

Mente Despenteado disse...

Ficam os cursos de Jornalismo para quem quiser ser médico, advogado, arquitecto ou engenheiro? Tá bem...

Hélder Beja disse...

Quase que juro poder adivinhar a que director se refere. Um tal de JMF, presumo. Ou talvez não..
Seja a tirada de quem seja, parece-me bastante preocupante que o responsável pelo P. (de periódico) tenha tal opinião. Especialmente porque sou finalista de uma dessas licenciaturas em Comunicação Social e julgo terem sido bastante proveitosos os últimos 4 anos.
Agora, que o sumo retirado do plano curricular não chega, isso sim é verdadeiro. Mas para tal não há que seguir outros caminhos académicos. Há, pois, que saber complementar o estudo universitário com outro tipo de actividades que nos façam sentir (ainda mais) preparados na hora de saltar para o mercado de trabalho.
Apenas espero estar certo quanto ao autor de tais palavras. Porque, se assim for, nem sequer têm importância maior. Já é da praxe.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

Meira da Rocha, a questão é que os actuais cursos de jornalismo e comunicação não ensinam nada disso. São mais um cursito teórico de ciências sociais. A excepção será, quanto muito, o prático curso da ESCS. Mas, por experiência própria, aconselho que se estude o que quiserem, e depois fazerem o curso do Cenjor, esse sim o que ensina tudo o que o jornalista deve saber. Foi o que fiz, hoje sou jornalista e noto uma grande diferença entre os que tiveram o meu percurso e quem chega a uma redacção cheio de teorias e nenhuma prática.

Ricardo Félix disse...

A questão que se coloca é sabermos qual a importância dada ao trabalho do jornalista se qualquer um pode sê-lo?... Qual a necessidade da existência de cursos de comunicação social no nosso país? Poderemos colocar um qualquer pedreiro( sem desprimor para a profissão) na redacção de um jornal apenas porque sabe escrever mas não tendo uma base teórica que o faça entender a
deontologia subjacente ao jornalismo? Sou da opinião que para ser jornalista é necessário ter esta bagagem teórica e ao contrário de alguns comentários (que eu respeito),acredito que há bons cursos em Portugal... Não podemos, simplesmente, cingir-nos ao mesmo. É preciso ganhar alguma experiência, no terreno, para podermos abraçar a profissão e termos assim a noção daquilo que nos espera... A verdade é que ninguém nasce ensinado e nenhum curso, só por si,nos dá tudo o que é necessário. Por isso temos de saber ir a luta e ganhar algum conhecimento para lá daquele que nos é oferecido através do ensino.

Ana Luísa Henriques disse...

Ainda no outro dia, uma pessoa que trabalhava numa revista de um conhecido jornal nos respondeu a essa pergunta. Ela disse: "O meu editor já experimentou a por pessoas de Economia a escrever e disse que era muito mais fácil dar a um aluno que tirou Jornalismo as bases de Economia (até porque ele pode pesquisar e informar-se) do que ensinar a um economista como escrever uma peça jornalistica ou porque deve respeitar o código deontológico.
Quanto a cursos muito teoricos, é verdade, eles existem. Mas também são esses cursos teórico que dão aos alunos uma bagagem diferente. Se quisermos mais prática, podemos sempre ir para o Cenjor (os cursos mais teóricos também têm um minimo de prática e ensima sim os géneros jornalisticos, como escrever uma noticia e até já como editá-la em vários meios) mas a bagagem que esse curso nos dá...não me parece que a possamos aprender em outro ado...
Quem sabe a melhor escolha não seja até um cursos de Jornalismo e uma pos-graduação na área que mais nos interessar ou para a qual formos trabalha'

...:::Millena Goes:::... disse...

Olá !!
Confesso que fiquei surpresa em tal afirmação, pq, na verdade, também sempre pensei dessa forma...sou pretendente a jornalista, mas isso em mim está num estímulo pessoal, sei lá, um hobbie uma atração. Já tentei fazer a graduação, mas naum deu certo, tive que ingressar no ramo da informática...
Sinceramente, só iria fazer a faculdade pq aqui no Brasil agora é obrigatório para exercer a profissão... Mas procuro fazer jornalismo a todo momento, independente de faculdade!
Mas agora queria que, se possível o autor do post explicasse de uma forma mais abrangente porque ele afirma que temos que procurar qualquer outra faculdade? Isso me deixou curiosa, pq é o meu caso!

Traquinas disse...

Realmente os cursos de Jornalismo e comunicação deveriam ser reformulados, mas dai a afirmar que para ser jornalista não é preciso um curso (se é universitário ou profissional é indiscutível) é um absurdo.
Achei a minha licenciatura em comunicação muito proveitosa apesar de tudo, mas para exercer é preciso ser uma pessoa curiosa, informada e com vontade de "estudar" as mais variadas matérias, para informar com rigor e isenção.
Quando não sabemos algo, fazemos perguntas (saber perguntar também é um dom).
Há pouco mais de um ano que trabalho, mas a distinção entre quem estudou comunicação e quem não estudou nada ou tirou outro curso é visível a olho nu. Já vi muitos disparates escritos por colegas que desconhecem os métodos de trabalho e, sobretudo a ética da profissão.
Infelizmente têm carteira profissional, um documento que podemos facilmente obter se um amigo jornalista assinar uma declaração a comprovar que o jornalismo é o nosso ganha-pão!

CMonteiro disse...

É óbvio que a vertente prática é muito importante e nem todos os cursos de Jornalismo a desenvolvem, mas, na minha opinião, a teoria é a base do conhecimento! É certo que há muitos jornalistas sem formação académica e outros com formação em cursos que não Jornalismo ou Ciencias da Comunicação, mas considero importante alguém que deseja ser jornalista licenciar-se em Jornalismo; afinal de contas, estes cursos, como é o caso de Jornalismo e Ciencias da Comunicação da Universidade do Porto, apostam nao só na prática, mas também na Teoria, afinal de contas um bom jornalista deve ter conhecimentos de História, de Política, de Direito, Diplomacia, entre outros temas. Não concordo com o Director do que é considerado o melhor jornal português, até porque não vejo qual é a desvantagem do curso de Jornalismo em relação ao de Direito, nem ao de Engenharia.

CM disse...

Referi-me a Direito ou a Engenharia, a título de exemplo.